Rio Cidade-Estado

O Rio de Janeiro foi autônomo durante 410 anos, mesmo quando a capital estava localizada em Salvador. Já foi elevada à condição a sede de um império, cidade-Estado e capital da República. Quando Brasília foi inaugurada, foi criado o Estado da Guanabara separado do Rio, que permanecia cidade-Estado.

Durante o Regime Militar, o Rio passou a ser considerado um foco de oposição e resistência. Em uma eleição dos anos 1970, foi o único a ter um governador do partido de oposição, o MDB. O restante do país era governado pela Arena. Em 1975, o regime decidiu de forma arbitrária e precária, fundir os dois Estados supondo que assim obteria unanimidade política e administrativa.

Para justificar a fusão, os militares inundaram a população com promessas de investimentos que não aconteceram. O Estado do Rio de Janeiro nasceu das sobras do Estado da Guanabara, cuja máquina se transferiu para a prefeitura apontando o modelo precário de gestão.

“Foram feitas previsões mirabolantes sobre o futuro econômico e social do novo Estado do Rio. Os prognósticos falharam, o Estado do Rio ficou mais pobre e a cidade decaiu. Armou-se, com a fusão, uma confusão que até hoje persiste, com problemas no Judiciário, nas polícias Civil e Militar, no sistema de educação e saúde”, afirmou Carlos Heitor Cony, em artigo publicado na Folha de São Paulo, em 2004.

Em julho do mesmo ano, o seminário “Cariocas pelo Rio” apresentou à sociedade estudos financeiros, sociais e culturais sobre o possível retorno do Rio de Janeiro à condição de cidade-Estado. O evento ocorreu no auditório de O Globo e contou com vários movimentos, entre eles: Autonomia Carioca, Guanabara Já, Instituto Atlântico e Instituto Hélio Beltrão. Não se trata, porém de um movimento de ordem separatista, mas a correção de um erro histórico grave. O Estado do Rio perdeu a capital Niterói, o que reduziu a representação política da cidade e fez com que ela fosse engolida pela cidade do Rio, com sua visibilidade nacional e internacional. A cidade do Rio, por sua vez, perdeu dinamismo, expressão política e econômica.

Mais de dez anos após o seminário, as previsões negativas feitas pelos participantes se concretizaram. O Instituto Atlântico está disposto a retomar as pesquisas para retomada do Rio de Janeiro, partindo dos complexos estudos sociais e econômicos elaborados na época.  Considerando que a crise do estado não é pontual, mas crônica, acreditamos em um novo estado mais preocupado em solucionar sua complexa rede de desigualdade, fisiologismo e anomalia.

Só pode haver uma explicação, além da muda docilidade do bicho, pela notável empatia da capivara da Lagoa com o público do Rio de Janeiro: somos todos capivaras! Queremos paz, praia ou uma ponta de restinga, mas que seja nossa praia.